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O que é a diabetes infantil e como reconhecer os sinais de alarme





“A forma mais comum de diabetes na criança é a diabetes mellitus tipo 1 em que a destruição maciça das células insulínicas do pâncreas é responsável por um aumento dos níveis de açúcar no sangue, sendo essencial o tratamento com insulina subcutânea várias vezes ao dia para garantir a sobrevivência”, explica Catarina Limbert, endocrinologista pediátrica do Hospital Lusíadas Lisboa.

A diabetes mellitus tipo 1 não deve ser “confundida” com a diabetes mellitus tipo 2 que é a forma mais frequente de diabetes mellitus (90% dos casos). A diabetes mellitus tipo 2 surge sobretudo na idade adulta e está intimamente relacionada com a obesidade, sedentarismo e alimentação pouco saudável (rica em gorduras, hidratos de carbono e pobre em fibras). Esta forma de diabetes é rara na criança e jovens portugueses, sendo a sua prevalência importante em países como EUA, Brasil, Japão e nos países africanos.

Na diabetes mellitus tipo 2, a síntese de insulina é suficiente e muitas vezes até elevada, mas os órgãos deixam de responder ao seu efeito, surgindo, tal como na diabetes mellitus tipo 1, excesso de açúcar no sangue.

Sintomas aos quais deve estar atento

Se notar no seu filho este conjunto de sintomas, fique atento, pois coincidem com a sintomatologia típica da diabetes mellitus tipo 1:
  • Sede excessiva;
  • Urinar com muita frequência em grande quantidade.
  • Apetite voraz;
  • Emagrecimento;
  • Cansaço.
A diabetes tipo 2 é de aparecimento muito lento e silencioso, não se manifestando habitualmente com este quadro e muito menos nesta faixa etária.

O que fazer?

Em caso de suspeita de diabetes na criança, ela deve fazer imediatamente uma análise aos níveis de açúcar no sangue, que pode ser feita através de uma picada no dedo em casa – se houver um aparelho de medição (avós, tios, etc.) – , na farmácia, no centro de saúde ou no hospital.

Em caso de valores iguais ou  superiores a 200 mg/dl, o pediatra será o primeiro especialista a poder ajudar. “É fundamental encaminhar a criança para um dos centros de diabetologia pediátrica disponíveis em vários pontos do país, onde será traçada a melhor estratégia de controlo da doença e de manutenção de um estilo de vida saudável”, informa a endocrinologista pediátrica.

Tratamento

A insulina, o exercíco físico e a alimentação saudável são os pilares do tratamento da diabetes na criança (diabetes tipo 1).  Se for mantido um bom controlo dos níveis de açúcar no sangue, a criança poderá manter padrões de vida normais, tal como outras crianças da mesma idade (a nível educacional, profissional e social). Para isso, é importante o envolvimento de toda a família e comunidade em que a criança está inserida.

Já a falta de controlo dos níveis de açúcar e o esquema inadequado de insulina impedirão o equilíbrio metabólico, correndo a criança o risco de descompensação aguda como o coma e as complicações a longo prazo, que atingem sobretudo os olhos, os rins, o coração e os vasos sanguíneos.

O tratamento da diabetes tipo 2 faz-se inicialmente com comprimidos (antidiabéticos orais), sendo a insulina reservada para os casos mais avançados com má resposta à medicação oral. Nas crianças e adolescentes este tipo de diabetes é ainda raro no nosso país, sendo o tratamento idêntico ao do adulto.

Prevenção da diabetes na criança

No estado atual dos conhecimentos, não é ainda possível prevenir a diabetes mellitus tipo 1. Apesar dos esforços da comunidade científica, a suscetibilidade genética, os fatores ambientais e o envolvimento do sistema imunológico, fazem com que esta doença seja ainda impossível de prevenir ou de curar. Várias linhas de investigação promissoras estão atualmente em desenvolvimento, com o objetivo de chegar ao pâncreas artificial ou à independência da insulina.

Quanto à diabetes mellitus tipo 2,  é possível preveni-la no adulto, intervindo na criança, nomeadamente na prevenção da obesidade desde o lactente até à adolescência.
Para prevenir a diabetes na criança, promova hábitos saudáveis na sua família:
  • Mantenha uma alimentação saudável;
Evite os açúcares de absorção rápida (presentes nos refrigerantes, bolachas);
Diminua o aporte de gorduras saturadas (fritos, margarinas e manteigas);
Inclua sempre vegetais e fruta nas principais refeições (ricos em fibras).
  • Promova a prática de exercício físico (60 min/dia);
  • Limite o tempo de ecrã a duas horas por dia;
O seu pediatra deve estar atento aos percentuais de peso dos seus filhos e orientar para Consulta de Nutrição ou Endocrinologia Pediátrica caso não esteja a responder a medidas não farmacológicas de controlo de peso.

Veja também:

A cura do diabetes 

O que o diabético deve comer?

Colaboração neste artigo:
Catarina Limbert, endocrinologista pediátrica no Hospital Lusíadas Lisboa

Especialidades em foco neste artigo:
Endocrinologia e Diabetologia Pediátrica

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